EMPREGABILIDADE

A inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho no Brasil vive um dilema: de um lado, falta qualificação dos que buscam emprego, de outro, as empresas tampouco estão preparada para receber esse tipo de profissional. Uma iniciativa liderada pela ADC – Associação dos Deficientes de Contagem/MG  busca mudar esse quadro. A ideia é lançar o 1º Seminário Sobre Empregabilidade e reunir empresas e profissionais de RH preocupados em cumprir a Lei de Cotas, que estabelece um número mínimo de funcionários com deficiência para cada empresa, e ainda informar e auxiliar essas empresas no processo de adaptação para receber esses funcionários.

A empreitada é iniciativa de Maurício Alves Peçanha, fundador da ADC, com o apoio de empresários, órgãos públicos municipais, estaduais e federais e da Faculdade UNA. O objetivo é auxiliar na preparação, tanto de empregados como empregadores, por meio de discussões sobre temas relevantes.

Dados do Censo 2000, os últimos disponíveis, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 14,5% da população brasileira tem algum tipo de deficiência – o número equivale a 34,5 milhões de pessoas. Quase metade (48%) são deficientes visuais.

Uma demonstração de que esforços e iniciativas do tipo tem dado certo foi a divulgação feita pelo HSBC, de que o banco atingiu a cota prevista em lei – a instituição tem mais de 1.001 funcionários; conforme a legislação, nesse caso 5% do quadro deve ser composto por deficientes.

“Quando propuseram o programa de inclusão, eu fiquei um pouco cético. Não acreditava que realmente seria possível. Mas o HSBC acabou descobrindo um novo mundo. Hoje, muitos dos deficientes físicos que acabam não sendo efetivados no banco são recrutados em outras empresas, porque já possuem capacitação”, afirma o diretor de Recursos Humanos para a América Latina do HSBC, João Francisco Rached.

 

Leia o depoimento concedido ao site da Unilehu pelo Sr. Orion de Lagrota Neto

O deficiente físico Orion, considera a Lei de Cotas um avanço. Analista de markerting, ele entrou no HSBC pelo Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência há três anos. “A legislação força o mercado a abrir as portas. Essa falta de vivência dos gestores com os deficientes acaba se dissipando. Quando as barreiras são muito grandes, isso termina interferindo no trabalho do dia a dia, e muitos deficientes optam por deixar o trabalho e viver do benefício do governo”, diz.